Data: 18/03/2010
Fonte: Valor Econômico
O ano que passou foi de redirecionamento estratégico da companhia, com reorganização do portfólio de negócios ao sair de alguns ativos, como energia, e fortalecimento de outros, caso da consolidação de nova companhia de celulose e a formação de joint venture na área financeira com o Banco do Brasil. Agora, o grupo Votorantim, que hoje divulga seu balanço financeiro de 2009, espera colher os frutos desse direcionamento. "Nossa projeção de resultado operacional (lajida) para este ano é de que será superior aos obtidos antes da crise", afirmou Raul Calfat, diretor-geral da Votorantim Industrial (VID).
O resultado do ano passado, cujo desempenho na receita líquida mostrou retração de 18%, para R$ 28,6 bilhões, foi considerado bastante positivo por Calfat e por Carlos Ermírio de Moraes, presidente do conselho de administração da Votorantim Participações e por José Roberto Ermírio de Moraes, vice-presidente do conselho e presidente da VID. Sob o guarda-chuva desse holding estão os negócios de cimento, metais (alumínio, zinco, níquel e aço), celulose e papel e agroindústria, que respondem por 66% da receita da companhia.
"O desempenho do grupo mostrou a força do seu portfólio renovado de ativos, que ganhou escala e tem custos muito competitivos", afirmou José Roberto. O empresário menciona que isso, aliado à força do mercado interno, recuperação dos preços das commodities a partir do segundo semestre e entrada de novos projetos - "mantidos no cenário de crise" -, como os de celulose, aço e cimento, foram fundamentais para a companhia exibir um lucro líquido recorde em sua história - R$ 4,66 bilhões. Em 2008, por conta dos efeitos da crise internacional e de perdas com derivativos, a Votorantim exibiu o diminuto lucro de R$ 14,2 milhões.
O lucro operacional ficou em R$ 5,5 bilhões e a expectativa para este ano, com melhoria dos preços das commodities e a forte demanda no mercado interno, é de valor recorde. Em 2007, o melhor ano da história, a companhia obteve R$ 8,4 bilhões. O grupo, afirmou Carlos Ermírio, trabalha com previsão de alta no PIB na faixa de 5%, para mais. "É um índice sustentável para este ano e para 2011; depois disso depende de vários fatores, locais e na economia mundial", afirmou.
O empresário enfatizou que mesmo na crise o conglomerado de 92 anos de fundação não deixou de investir e teve "agilidade e capacidade de decisão" para focar nos negócios que elegeu como principais. "Para este ano, em expansão orgânica, estamos prevendo R$ 4,4 bilhões". Desde 2006, até o ano passado, foram aplicados R$ 25 bilhões.
O grupo começou 2010 com apetite aguçado e o negócio de cimento - que no Brasil vê a demanda subir na faixa anual de 7% -, foi a vedete. Da portuguesa Cimpor, dona de 9% do mercado brasileiro, além de estar presente em outros 12 países, adquiriu 21% do capital. O valor desembolsado não é revelado, pois envolveu troca de ativos no Brasil com a rival Lafarge. Especulações apontam cerca de € 800 milhões.
"Nesse negócio, que é regional, o que nos atraiu é o posicionamento internacional, entrando em mercados onde a Votorantim não está presente", observou Carlos Ermírio. Da Avellaneda, na Argentina, e da Artigas, no Uruguai, adquiriu 38,4%. No Brasil, a Votorantim leva avante um programa de mais de R$ 3,2 bilhões iniciado em 2007 para erguer cerca de 10 novas instalações. No ano passado já agregou 2,5 milhões de toneladas de capacidade e neste virão quase outro tanto.
Para José Roberto, a competitividade de várias cadeias de produção, em vários setores, estão afetadas pelo binômio "custo de energia e cambio". "É uma questão decisiva para a indústria eletrointensiva", afirmou. "Abaixo de R$ 2 por dólar, fica muito difícil a competição para muitos setores, considerando custos, capital, logística e a tributação".
A nova geografia da produção de alumínio no mundo, por conta do custo da energia, deve mudar para o Oriente Médio, onde o preço é na faixa de US$ 15 o MW, diz Carlos Ermírio. "Podemos simplesmente ficar fora do jogo".
Sobre as negociações envolvendo a fusão da controlada Citrovita, de suco de laranja, com a concorrente Citrosuco, os empresários preferiram não se manifestar.
Metalurgia 2010
de 14 a 17 de Setembro de 2010