ABCEM

Notícias

Concórdia Corporate
Edição 123 | Fonte: Revista Construção Metálica

Com 172 m de altura, a maior torre mineira, erguida em estrutura mista (aço-concreto), vai integrar o novo time de edifícios altos do Brasil

O Concórdia Corporate, edifício em construção na cidade de Nova Lima (MG), destaca-se na paisagem bucólica das imediações da Serra do Curral, região que abriga condomínios e prédios de alto padrão. Esta é a paisagem dominada pelo arranha-céu de 45 pavimentos e 60 mil rn' de área construída, erguido em um terreno bastante acidentado. O empreendimento é da incorporadora e operadora Tishman Speyer e tem a parceria da construtora Caparaó e da Codeme Construções Metálicas.

Uma das grandes virtudes do empreendimento é o cumprimento rigoroso do cronograma físico-financeiro da obra e para isso foi decisiva a opção pela estrutura mista. "A adoção do sistema misto aço-concreto visou implementar um alto grau de industrialização na obra. Aliado a um bom planejamento, foi possível alcançar bons resultados na gestão, cumprir o orçamento, obter maior velocidade na execução da estrutura e garantir a qualidade", avalia o engenheiro Paulo Bedê, titular da Bedê Engenharia de Estruturas, responsável pelo projeto estrutural ao lado da Codeme, empresa responsável também pela fabricação e montagem da estrutura metálica da torre e pela aplicação da argamassa projetada que serve como proteção passiva em situação de incêndio.

Estrutura mista

Entre o oitavo subsolo e o térreo (nove pavimentos) encontra-se a estrutura de embasamento do Concórdia Corporate, projetada em concreto armado e protendido. Ao nível da rua, a torre sobe em estrutura mista aço-concreto (ilustração). A opção pelo embasamento em concreto deveu-se a aspectos logísticos, conveniência construtiva e custos, já que não havia impedimento técnico para que a torre fosse executada totalmente em estrutura mista.

Presente nos 45 andares do edifício, o núcleo de rigidez em concreto é o responsável pela estabilidade do edifício e por resistir à ação do vento, além de atuar no contraventamento de 12 pilares tubulares mistos, de seção circular e costura helicoidal, fabricados pela Vallourec. Posicionados na periferia (projeção da fachada), os pilares são ligados ao núcleo pelas lajes. "Os pilares mistos, compostos por tubos de aço preenchidos com concreto armado, não fazem parte do sistema de estabilização global da estrutura. Seus esforços são basicamente de compressão", afirma Bedê. Sidney Pilon, gerente de projetos estruturais da Vallourec, explica que "o diferencial dos tubos estruturais com costura helicoidal é a resistência a esforços elevados de compressão, torção e efeitos combinados".

Os pisos dos pavimentos são compostos por lajes Steel Deck, produzidas pela Metform, apoiadas sobre vigas metál icas. Com 12 elevadores e duas escadas, a circulação vertical do edifício se faz pelo núcleo, que concentra também quase todos os sistemas prediais e cômodos técnicos. A obra demandou projetos de mais de 30 especialidades e coube à Caparaó fazer a coordenação e compatibilização desses projetos.

Principal elemento estrutural, o núcleo apeia-se sobre 16 conjuntos de estacas barrete, conformando diafragmas de 8 m com aproximadamente 30 m de profundidade e capacidade para até 4.650 t cada. "Essa solução permitiu concentrar a fundação do núcleo em uma área pouco maior do que a sua projeção, como se fosse um prolongamento do próprio núcleo solo adentro", explica Bedê. Nas fundações dos 12 pilares periféricos foram adotadas estacas escavadas de até 1,80 m de diâmetro, profundidade de 32 m e capacidade para 1.250 t cada.

Com projeto geotécnico da Consultrix, as fundações foram executadas conforme avançavam os platôs da terraplenagem do ponto mais alto para o mais baixo do terreno. Vale lembrar que o Concórdia está situado em um terreno acidentado, com 25 m de desnível entre a frente e os fundos do lote. Por isso, o projeto conta com contenções importantes em todas as faces do terreno, exceto na parte inferior. As soluções, neste caso, variaram conforme as condições locais.

A estrutura mista permite que concreto e aço atuem de forma conjunta com suas competências complementares. "Do ponto de vista global da estrutura, o casamento do núcleo de concreto com a estrutura metálica gera economia e possibilita a execução da torre com a alta velocidade de montagem da estrutura metálica", sintetiza Bedê. Ele lembra que a fôrma metálica colaborante da laje mista (Steel Deck) atua como armadura do concreto e dispensa escoramentos. As vigas metálicas atuam integradas com as lajes, compondo as vigas mistas, que vencem maiores vãos com menor altura e menor peso. Já os pilares tubulares mistos apresentam excelente desempenho e resolvem a questão relativa ao comportamento estrutural em situação de incêndio.

De acordo com Vanessa Heckert Sevilla Pires, engenheira calculista da Codeme, os pilares têm suas dimensões reduzidas ao serem calculados como mistos, permitindo melhores usos dos espaços. "O grande benefício da estrutura mista aço-concreto, relativamente ao sistema puramente de concreto ou puramente metálico, é que foi a solução mais econômica e mais interessante para a obra como um todo", conclui Vanessa Pires.

Execução

Cumprindo o planejamento físico, o núcleo foi sendo executado antecipadamente, utilizando o sistema de fôrmas trepantes, com avanços de 1,5 m. A estrutura metálica em volta do núcleo era montada a cada três pavimentos, ou seja, em lances de 12 m. O primeiro lance de pilares metálicos foi montado quando o núcleo de concreto atingiu a altura de 23 m. A partir daí, com a execução do núcleo seguindo sempre adiantada, a estrutura avançou à velocidade de cinco ou seis lajes por mês.

A arquitetura do edifício trouxe um desafio especial ao projeto. Quatro dos 12 pilares periféricos são inclinados entre o oitavo e o 14° pavimentos para acompanhar um efeito das fachadas. Com isso, surgiram forças horizontais significativas nos níveis dessas lajes. "Esses esforços são conduzidos das fachadas até o núcleo de concreto através do conjunto viga metálica-laje. Como esse equilíbrio de forças é fundamental para a estrutura, utilizou-se o conceito de redundância, incluindo-se a hipótese de as forças serem transmitidas ao núcleo somente pela viga, de modo concentrado", explica Bedê.

Outro desafio, inerente aos edifícios altos e a outras estruturas rele- vantes, foi contemplar no projeto estrutural a força do vento. O edifício está implantado em uma região enquadrada em duas categorias (111 e IV) da NBR 6123:88 - Forças Devidas ao Vento em Edificações. Os ensaios do edifício em túnel de vento (escala 1/400), feitos no laboratório de Aerodinâmica das Construções (lAC) da UFRGS, consideraram essa situação . 


voltar
Twitter
Facebook

Compartilhe

Cursos ABCEM

Galpões Industriais em Aço

05 e 06 de maio e 19 e 20 de maio de 2017

Inscreva-se online

saiba mais

Projeto e Montagem de Pontes Metálicas

02 e 03 de junho e 09 e 10 de junho de 2017

Inscreva-se online

saiba mais
Banner
Banner
Banner