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Modelando aço e vidro
23/02/2017 | Fonte: Revista Construção Metálica

ENTREVISTA

RAIMUNDO CALIXTO DE MELO NETO


San Pelegrino Shopping Mall, em Caxias do Sul (RS), e Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza (CE)

Em outubro de 2016, o engenheiro civil Raimundo Calixto de Meio Neto, titular da RCM Engenharia de Estruturas, de Fortaleza (CE), encantou a plateia de colegas reunidos em São Paulo para o 19° Enece, o encontro anual realizado desde 1998 pela Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece). O tema de sua palestra foi "Estruturas Metálicas e de Vidro - Uma abordagemno Conceito BIM". O encanto de sua apresentação, na verdade, foi duplo: primeiro pela adoção convicta do Building Information Modeling (BIM) nos projetos de seu escritório; depois, pelas belas obras apresentadas unindo aço e vidro.

Formado em 1978 pela Universidade Federal do Ceará e mestre em Estruturas pela Coppe/UFRJ (1983), Raimundo Calixto acumulou experiência profissional como engenheiro calculista da FEM (Fábrica de Estruturas Metálicas) da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e chefe do Departamento de Estruturas Metálicas da então Iaakko P6yry Engenharia (atual P6yry Tecnologia), até passar a dirigir a RCM - Engenharia de Estruturas, a partir de 1990. Sua carreira inclui atuação em projetos com estruturas de aço nas áreas de siderurgia, química, petroquímica, edificações comerciais e em projetos com estruturas de vidro.

Nesta entrevista a Construção Metálica, o diretor da RCM fala de sua expectativa em relação ao uso mais intensivo do BIM na área da construção civil e nos resultados que a tecnologia entrega aos usuários: "Em todos os projetos, as modelações desenvolvidas para os detalhes de ligações entre elementos estruturais foram bastante importantes na decisão quanto à solução final a ser adotada.”.

O senhor atua em diversos projetos estruturais que aliam aço e vidro. Trata-se de uma especialização do escritório ou uma escolha pessoal? Por que optou por essa área?
A nossa atuação em projetos com estruturas de aço envidraçadas evoluiu à medida quenos aprofundamos em estudos relativos ao comportamento dos dois materiais quando empregados em conjunto. Assim, consideramos que os projetos em questão, naturalmente, foram sendo aprimorados quando passamos também a acompanhar as instalações dos componentes do vidro e de suas interfaces com os elementos estruturais de aço.

De que forma o projetista de estruturas deve trabalhar com esses materiais? Quais são as exigências que lhe são feitas em termos de conhecimento e recursos?
Consideramos ser de fundamental importância que os projetistas entendam as exigências arquitetônicas, e, antes das etapas de cálculo e dimensionamento, procurem conhecer quais as soluções disponíveis no mercado que possam atender ao projeto em questão.Entendemos que as questões relativas a custos devem ser sempre postas à mesa, a fim de serem evitadas solicitações de revisões futuras, as quais poderiam ser evitadas se tratadas nas etapas iniciais.

Esses projetos refletem um maior interesse de arquitetos por aço e vidro? E como a indústria de materiais se apresenta em relação a eles?
As arquiteturas com componentes envidraçados são bastantes comuns, muitas delas famosas, como a edificaçãoCrystal Palace, projetada por josephPaxton em 1851 na Inglaterra. Nos dias de hoje, a maior ocorrência desses tipos de edificação se deve à disponibilidade no mercado dos chamados vidros de controle solar, associados às mais variadas possibilidades de laminação, impressões digitais ete. Podemos acrescentar o magnífico avanço nas pesquisas relativas ao emprego estrutural do mesmo, que veio possibilitar construções arrojadas com componentes primários em vidro, quando no passado eram utilizados componentes de aço ou mesmo concreto.

O senhor destacaria algum profissional ou escritório em que essa solução é mais evoluída?
Consideramos que são vários os escritórios de arquitetura com projetos importantes utilizando o vidro. O mercado, nos dias de hoje, disponibiliza muita informação técnica para os arquitetos e engenheiros, o que facilita o desenvolvimento de projetos de arquitetura e engenharia nesse campo.

A RCM utiliza plataforma 81M, certo? Como foi o processo interno de adaptação a essa tecnologia? Quais foram as etapas, as dificuldades encontradas, o tempo gasto e o investimento necessário?
Consideramos a plataforma BIM como a mais revolucionária evolução no desenvolvimento de projetos no setor da construção, seja ela industrial ou civil. As vantagens na utilização desse conceito são numerosas quando comparadas à plataforma até então empregada. No caso do nosso escritório, face a desenvolvermos projetos com propostas arquitetônicas não convencionais, consideramos extremamente relevante a adoção do conceito BIM. Em resumo, podemos dizer que no BIM construímos duas vezes, sendo a primeira uma construção virtual em que podemos nos antecipar aos problemas que normalmente seriam detectados na fase de construção propriamente dita. As dificuldades para mudança na metodologia de trabalho convencional são compreensíveis e difíceis de serem vencidas, porém, quando acreditamos que temos que mudar, tudo passa a ser uma questão de tempo e persistência. No final, concluímos que vale a pena. As questões relativas aos custos, considero menos relevantes, pois o retorno do investimento é certo.

Em que estágio encontra-se hoje a empresa RCM, em relação ao 81M, e que resultados foram auferidos em termos de processo, integração com outras etapas, agilidade etc.?
Consideramos que somos aprendizes, pois os recursos disponíveis são bastantes numerosos. Na nossa avaliação, à proporção que mais escritórios aderirem ao BIM, maiores serão os avanços conquistados. Em outras palavras, acreditamos nos avanços proporcionados pela sinergia entre as diversas disciplinas.

Que vantagens o 81M pode trazer ao projeto, considerando aspectos como: otimização de desempenho estrutural, redução de materiais e cargas, redução de custos, prazos e outros?
Voltando ao que comentamos anteriormente, a profusão de informações disponibilizadas pelo intercâmbio entre as disciplinas, por si só, já destaca fortemente as vantagens na adoção da plataforma. A redução de custos é fortemente identificada quando se verifica que temos em mãos informações muito mais precisas e confiáveis.

A RCM possui em seu portfólio diversas obras complexas, como Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza (CE), Shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande (MS), e San Pelegrino Shopping MaU, em Caxias do Sul (RS), entre outros. Fale um pouco dos conceitos e diferenciais desses projetos e de como o 81M foi útil.
Nos projetos destacados, consideramos que a adoção da plataforma BIM nos permitiu apresentar ao cliente-arquitetura um número maior de alternativas para a escolha daquela que melhor atendia ao balanço custo-benefício. Em todos os projetos, as modelações desenvolvidas para os detalhes de ligações entre elementos estruturais foram bastante importantes na decisão quanto à solução final a ser adotada. Em outras palavras, podemos dizer que as informações disponibilizadas na fase de projeto trazem significativa redução de incertezas na construção, com consequente economia.

O que pode ser feito para ampliar a utilização do 81M na construção brasileira?
As empresas multinacionais desenvolvedoras dos softwares para essa plataforma poderiam facilitar financeiramente a aquisição dos mesmos. O custo para os escritórios em tempos de um câmbio tão desfavorável com certeza inibe fortemente uma mudança ao que tradicionalmente se utiliza para o desenvolvimento dos projetos em qualquer área. Vemosporém, com otimismo, uma crescente procura por informações relativas ao BIM. O nosso interesse é que, cada vez mais, novos adeptos cheguem ao mercado, pois o reflexo no resultado das construções, quanto à qualidade e economia, é garantido.


Shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande (MS)


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