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Produção de aço tem queda de 4,9% em 2020: ABCEM acredita que a concentração de matéria-prima no País é uma das soluções Agência Brasil, 19/04/2021

A produção siderúrgica nacional totalizou 31 milhões de toneladas no ano passado, queda de 4,9% comparativamente ao volume produzido em 2019, de acordo com balanço divulgado pelo Instituto Aço Brasil. Segundo Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo da entidade, a redução foi devido “à parada de equipamentos ocorrida no momento mais agudo da grave crise de demanda enfrentada pela indústria em abril do ano passado".

A produção de laminados no mesmo período foi de 21,7 milhões de toneladas, queda de 3,7% em relação ao registrado no acumulado de 2019. A produção de semiacabados para vendas totalizou 7,8 milhões de toneladas de janeiro a dezembro de 2020, apresentando retração de 11,6% na mesma base de comparação.

Já as vendas internas atingiram 19,2 milhões de toneladas, mostrando expansão de 2,4% em relação ao ano anterior. Para Marco Polo Lopes, isso confirma a recuperação do mercado interno a partir do segundo semestre.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), Alexandre Queiroz Schmidt, com a pandemia as demandas de todos os mercados no mundo inteiro se contraíram. “Os grandes produtores de matéria-prima não só de aço, mas cimento, plástico, entre outras, reduziram as suas produções e, com isso, veio a diminuição dos estoques. Com a retomada da economia em vários aspectos e, às vezes, a retomada vem muito mais rápido do que a regularização dos estoques no mundo inteiro e também no Brasil Resulta na falta de matéria-prima, e consequentemente o aumento do preço dela.

As exportações somaram 10,7 milhões de toneladas, ou US$ 5,4 bilhões em valor, ficando 16,1% e 26,6% abaixo do resultado de 2019, respectivamente. Do mesmo modo, as importações alcançaram 2 milhões de toneladas no acumulado até dezembro de 2020, retração de 14,3% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 2,1 bilhões, com diminuição de 13% no período.

O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 21,2 milhões de toneladas no acumulado de janeiro até dezembro do ano passado. Esse resultado representa alta de 1,2% frente ao registrado no mesmo período de 2019.

Schmidt, ressalta que, diante deste cenário, a ABCEM e também várias associações e entidades na área da construção e produção no País, têm se reunido com os principais grupos, os grupos mais fortes de produção de aço e outras matérias-primas, solicitando a regularização do estoque, bem como a concentração dessa produção no País.

De acordo com o presidente da ABCEM, a maior prejudicada por esse problema de falta de matéria-prima é a população brasileira porque atrasam várias obras de infraestrutura, atrasam entrega de obras de moradia, de apartamentos e residências. “Temos dois vieses fortes que são o atraso na entrega dessas obras e o aumento dos custos. Com isso, toda população brasileira sofre. E, claro, se você não tem matéria-prima para construir aquele edifício, ele fica parado e não contrata mão-de-obra, o que começa a gerar o desemprego”, explica.

Schmidt destaca que a ABCEM não está medindo esforços em participar de todos os eventos em que é convidada a nível nacional junto com as grandes corporações e com os governos municipal, estadual e federal, para que atuem fortemente no reabastecimento de matéria-prima no País”, finaliza.

Dezembro - De acordo com o Instituto Aço Brasil, no último mês de 2020, a produção brasileira de aço bruto foi de 2,9 milhões de toneladas, revelando aumento de 17,2% frente ao apurado no mesmo mês de 2019. Já a produção de laminados, de 2,1 milhões de toneladas, ficou 41% acima da registrada em dezembro do ano anterior. A produção de semiacabados para vendas foi de 616 mil toneladas, com queda de 29,4% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2019.

As vendas internas subiram 28% em relação a dezembro de 2019 e atingiram 1,8 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2 milhões de toneladas, 30,2% superior ao apurado no mesmo período de 2019.

As exportações de dezembro alcançaram 766 mil toneladas, ou US$ 434 milhões, o que resultou em quedas de 24,1% e 13,5%, respectivamente, na comparação com o mesmo mês de 2019. Em contrapartida, as importações de dezembro de 2020 foram de 204 mil toneladas e US$ 205 milhões, sinalizando alta de 53% em quantum (volume) e 38,5% em valor na comparação com o registrado em dezembro de 2019.

Confiança - O Instituto Aço Brasil divulgou também o Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) referente a janeiro de 2021. "Neste mês, o ICIA ficou estável na comparação com o mês anterior, em 78,9 pontos. A estabilidade frente ao mês de dezembro, após duas quedas consecutivas, ainda mantém o ICIA em patamares historicamente elevados", destacou Marco Polo Lopes.

O indicador de situação atual ficou em 83,2 pontos, recuando 3,3 pontos frente ao registrado no mês anterior. Já o indicador de expectativas para os próximos seis meses evoluiu 1,6 ponto na mesma comparação, passando para 76,7 pontos. Os valores acima de 50 pontos indicam confiança, enquanto valores abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança.

O índice que mede as condições atuais da economia brasileira cresceu 4,7 pontos, atingindo 78 pontos. Já o índice que mede a confiança dos entrevistados sobre as condições atuais da empresa caiu 7,3 pontos, indo para 85,8 pontos. O indicador de expectativas sobre a economia brasileira para os próximos seis meses retrocedeu 6,2 pontos, ficando em 67,1 pontos. O indicador de expectativas sobre a própria empresa para os próximos seis meses aumentou 5,6 pontos e atingiu 81,6 pontos.

Por: Dayse Oliveira

 

Fonte: Agência Brasil

 


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