Atenção

Fechar

Notícias

Retrofit das fachadas projetado pela Zanettini Arquitetura transforma totalmente o Hospital Albert Einstein - Morumbi ABCEM, 30/09/2020

O uso da estrutura metálica, numa tecnologia inovadora e sustentável, limpa, rápida, sem barulho e poeira, e sem canteiro de obras, supera resultado e tem reconhecimento público pelo caminho técnico e artístico adotado

            Após ganhar a concorrência feita pela diretoria do Hospital Albert Einstein, a cargo da Diretora Executiva de Engenharia Junia Contijo, para a realização do retrofit global externo dos edifícios no Morumbi (SP), a Zanettini Arquitetura entendeu as importantes necessidades a serem atendidas, fazendo-se necessário explicitar as questões compreendidas, que foram sintetizadas em três importantes condicionantes: as fachadas resultantes de vários blocos feitos em épocas diversas e por autores diferentes, apresentavam soluções diferenciadas não constituindo a unidade arquitetônica desejada pelos diretores. Somava-se a isto a precária condição delas com esquadrias não mais funcionando prejudicando a insolação e a ventilação dos vários ambientes. Por outro lado, o revestimento cerâmico despencando em placas em várias fachadas ofereciam uma séria situação de perigo.
           A imagem do hospital também era conturbada pelos anexos verticais e horizontais e vários canteiros de instalações que foram sendo inseridos tumultuando pátios e circulações e ocasionando um visual variado e desordenado.
           De acordo com Zanettini, havia também outras questões em conflito que precisavam de soluções formais e construtivas. “Outra intervenção inadiável era o atrium destinado a ser o local de recepção e estar próximo à entrada principal, com problemas diversos ocupado por um restaurante Kasher e uma lanchonete, cobertos por antiga cobertura de duas águas na altura do 6º pavimento, em estado precário pela dificuldade de acesso para manutenção e limpeza e internalizando as fachadas de vários pavimentos dos blocos A e B de internação e administrativas, deixando-os sem luz natural. Além das paredes voltadas para esse espaço, no térreo, o tratamento externo nas paredes de jardim artificial, outras com revestimentos diversos, além de jardineiras ocupando parte do espaço do piso”.  
           Conturbava ainda a imagem do hospital, os anexos verticais e horizontais e vários canteiros de instalações que foram sendo inseridos tumultuando pátios e circulações e ocasionando um visual variado e desordenado.
                      Para Zanettini, completava o quadro de problemas a quantidade de acessos para internação e alta, pronto atendimento, administração, restaurante, lanchonetes como também para o acesso de veículos. E como entrada principal não oferecia condições de espaço coberto para embarque e desembarque pelo grande volume de veículos e pedestres. “E, como condicionante colocada, pelos responsáveis, as intervenções não poderiam ocasionar ruído e poeira, pois os ambientes internos continuariam sendo ocupados por pacientes, funcionários e público externo”, explica o arquiteto.

A solução – Para esses diversos e complexos desafios, a Zanettini Arquitetura apresentou como proposta sistemas de produção e montagem totalmente industrializados de tal maneira que toda a execução seria externa, com entregas programadas conforme fossem sendo liberadas pelo hospital, faixas verticais de internações e demais atividades. Para atender esses requisitos, desenvolveu, juntamente com as importantes contribuições estruturais do Engenheiro Flavio D’ Alambert, todo um sistema estrutural de produção e montagem industrializado e integrado: “enquanto fabricava-se treliças baixas para serem fixadas na altura dos peitoris e de grande comprimento, com poucos pontos de ancoragem nas prumadas dos pilares de concreto, simultaneamente montava-se na cobertura do edifício uma estrutura para içamento e fixação das mesmas e dos painéis unitizados de vidro e ACM. Essas treliças, fixadas com pouco ruído pelas equipes de montagem, foram a estrutura para engate dos painéis verticais unificados com esqueleto de alumínio e cobertura de vidro laminado duplo, com aberturas em “Maxim-ar”, para ventilação dos vários ambientes em cada pavimento e colocadas numa sequência programada de produção e montagem. Nas fachadas cegas as estruturas de alumínio receberiam placas de ACM. Detalhes do encontro das janelas verticais externa ou interna, do vidro e ACM e arremates de platibandas compuseram o sistema de tratamento de fachadas”, descreve Zanettini.
            Com esse sistema limpo e versátil após a retirada dos panos de cerâmica em toda a superfície, foram cobertos totalmente o bloco vertical A e os blocos horizontais B, garantindo um resultado limpo, funcional e uniforme para todas as fachadas externas do hospital, com exceção do tratamento verde dado ao bloco vertical de transição entre o Bloco B e as circulações do Bloco D.
            Para o desafio do atrium foi criado um espaço de destaque como local de recepção, encontro e estar do hospital, que superasse o conflito funcional existente. A proposta consistiu em trazer a iluminação natural para esse ambiente envolvido por massas verticais, todas com diversas utilizações que deveriam receber iluminação e ventilação naturais, ao mesmo tempo que não sufocassem o ambiente no térreo.

            Optou-se por adotar uma forma ascendente de tubos de aço que vence o vão maior, começando com pé-direito mais baixo sobre o espaço destinado ao restaurante Kacher e que se eleva em curva atingindo a altura maior do 6º do pavimento do Bloco A apenas na sua extremidade, de tal sorte a garantir a visão para o atrium das circulações nos seis pavimentos. Assim, as fachadas internas dos blocos A e B são visualizadas desse estar e ganharam iluminação e ventilação naturais. E, nele, foi instalada uma tela de imagem para informações, mensagens e vídeos substituindo a informação estática dos inúmeros banners cobrindo paredes.
           O teto de vidro sobre à estrutura de tubos, já sombreado pelas massas envolventes recebeu um tratamento externo de serigrafia constituindo de minúsculas esferas garantindo uma luz natural sombreada. “O resultado foi auspicioso que se completou pelo tratamento de interiores feito pela arquiteta Betty Birger”, diz Zanettini.
           A condição de acesso à entrada principal ocorria através de pequena cobertura de concreto e pela grande área de acesso descoberto de veículos sem tratamento ambiental e paisagístico, secundarizando-se como acesso principal e porta de entrada principal do hospital. Nele, a solução foi adotar uma forma escultural e de destaque que ao mesmo tempo organizasse o tráfego geral e abrigasse a entrada de veículos, destacando ainda a paisagem local de dia e à noite com a própria forma fornecendo a iluminação natural e noturna.
           “Juntamente com o engenheiro Flavio D’Alembert conceituamos a ideia de um parabolóico curvo que já definisse a circulação de embarque e desembarque de usuários protegidos da chuva e que pelas dimensões disciplinasse a ocupação ambiental e paisagística. O atendimento central a essas questões foi a criação de uma forma em arco que disciplinasse as vias de circulação e abrigasse a quantidade de veículos e seu estacionamento em três faixas para embarque e desembarque de passageiros, cadeirantes e independente de via específica de pedestres.  Assim, surgiu o design de um grande arco em curva constituído por colmeias de triângulos com estrutura tubular de aço formada de barras convergentes articuladas a nós hexagonais e com gaxetas de borracha para apoio dos painéis triangulares de vidro laminado na cor verde ray-ban. Essa malha de arco em curva se apoia linearmente em suas arestas de apoio sobre bases.  Somente no encontro dela com a superfície do auditório e sobre a marquise de concreto existente foram adotados apoios específicos junto às recepções do auditório e do hospital, dispensando qualquer outro elemento que ferisse a limpeza formal”, informa o arquiteto. 
            A especialista em iluminação, arquiteta Neide Senzi, propôs linhas embutidas nas calçadas internas junto aos panos resultando um efeito noturno deslumbrante e suficiente para iluminar internamente toda a cobertura e externamente toda a praça, organizando acessos e o paisagismo circundante que foi mantido, tratado e ressaltado por um painel verde artístico, de autoria do arquiteto Zanettini.
            Para Zanettini, o uso da estrutura metálica numa tecnologia inovadora e sustentável, limpa, rápida, sem barulho e poeira, e sem canteiro de obras, conseguiu um resultado, que agradou profundamente a Diretoria do hospital, mas também vem ocasionando mensagens de reconhecimento e aplausos pelo caminho técnico e artístico adotado.

Ficha técnica

Equipe Zanettini Arquitetura
Arquiteto Responsável: Siegbert Zanettini 
Arquiteto Supervisor: Thaís Barzocchini 
Arquiteto Plenos: Alessandra Cagnani Salado, Natália Brazão Malateaux
Engenheiro Colaborador: Ernani Moura 
Arquitetos Colaboradores: Camila Conti, Éric Fick Gonzalez, Daniel de Souza Gonçalves

Projetos complementares

Levantamento cadastral: Metro Cúbico
Estrutura metálica: Projeto Alpha
Estrutura concreto/fundações: ETCPL Projeto Estrutural
Esquadrias de vidros: Crescêncio Petrucci Consultoria e Engenharia
Corpo de Bombeiro: Engepoint Gerenciamento Consultoria Ltda
Conforto Ambiental: Ca2 Consultores Ambientais Associados
Instalações Elétricas/Hidráulica: Interativa Engenharia
Luminotécnica: Senzi Ligthing
Acústica: Sresnewsky
Impermeabilização: Proassp
Paisagismo: Oficina 2 mais
Fonte e fotos: Zanettini Arquitetura - Siegbert Zanettini, diretor-presidente da Zanettini Arquitetura Planejamento Consultoria Ltda. Professor titular da FMUSP 


Voltar

Inscreva-se